
nada me anima ou motiva,
qualquer movimento ou desejo, qualquer anseio, nada,
como uma folha em branco.
-...recupero depois o sentido do sonho.-
progressivamente, paralela ao lento decorrer das horas, vou adentrando o sonho...
-‘O que há em mim é sobretudo cansaço, não disto nem daquilo, nem sequer de tudo ou de nada,
assim mesmo, ele mesmo, cansaço...’-
palavras do Álvaro de Campos, meu poeta de eleição,
-‘...a subtileza das sensações inúteis, as paixões violentas por coisa nenhuma,
os amores intensos por o suposto em alguém, essas coisas todas
— essas e o que falta nelas eternamente —
tudo isso faz um cansaço...’-.
(Não me sigas, meu querido,
não me sigas porque eu destruir-te-ei ou destruir-me-ei.– não será a mesma coisa?!)
-‘...dizia que ao chegar se olhares e não me vires nada penses ou faças,
vai–te embora... não tem sentido esperares por quem talvez tenha morrido
ou nem sequer talvez tenha existido.’- .
Virá um dia em que o sentido do sonho me falhará.
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