Escrever(te)

numa data específica,

pequena pedra no vidro da tua janela,

pretexto apenas para quebrar o silêncio,

salvo-conduto da delicada fragilidade com que nos tocamos

... nas pontas dos dedos,

apenas.

sexta-feira, março 09, 2007

....

















…como dizer-te


com as palavras já gastas


quanto a tua ausência se afunda no meu peito


dizer-te


da tristeza ancorada no meu riso


e da certeza que nunca poderás de mim partir…


dizer-te…


todas as palavras que dissemos


as que murmurámos apenas


e as que no olhar disseram tudo o que precisávamos saber


um do outro…


procuro-te ainda


na multidão onde nunca estás


onde nunca estou…


e volto para casa com as mãos mais vazias


percorrendo em todos os corpos o teu corpo que não há.…


diz-me…


diz-me que ainda é tempo


de colher os sorrisos que trago nos olhos


de colorir os dias de outras cores


de falar-mos outra vez de amor…


diz-me que não está tudo perdido para nós


mas diz-me agora


para que eu acredite


diz-me que um dia haverá um tempo nosso…


...


…se ao menos eu ainda soubesse escrever-te!


...

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